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18 de dezembro de 2015

Ameaça a Reforma Psiquiátrica no Brasil

  Todo o avanço possibilitado pela reforma psiquiátrica fica ameaçado com a recente nomeação Valencius Wurch, ex diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, o maior hospício da América Latina, como coordenador nacional de saúde mental, álcool e outras drogas.
"A reforma psiquiátrica brasileira é referência mundial na atenção as pessoas com transtornos mentais e/ou decorrente do uso de álcool e outras drogas. Porém, ontem foi anunciado pelo Ministério da Saúde que o até então coordenador nacional de saúde mental, álcool e outras drogas Roberto Tykanori – conhecido por sua militância na luta antimanicomial – foi substituído pelo psiquiatra Valencius Wurch, ex diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras, o maior hospício da América Latina.
O manicômio Dr. Eiras, localizado no Rio de Janeiro, foi fechado em 2012, dois anos depois de ordem da justiça para que as atividades no local fossem encerradas devido a uma série de denúncias das condições sub humanadas em que os internos viviam. Valencius Wurch dirigiu o local por dez anos, denunciado inúmeras vezes por abandono e maus tratos.
Em maio e agosto de 2000, o Ministério da Saúde produziu auditorias que descreveram um quadro de ‘casa dos horrores’, negado pela Casa de Saúde Dr. Eiras. Uma caravana da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados igualmente criticou o manicômio. Em 2001, a Secretaria de Estado de Saúde proibiu novas internações – havia pouco mais de 1.500 pacientes -, assumiu a gestão das verbas do SUS (Sistema Único de Saúde) destinadas à Casa de Saúde Dr. Eiras (R$ 13 milhões em 2000) e promoveu um censo com uma série de denúncias ao local.
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Como se não bastasse seu histórico profissional, o psiquiatra Wurch, também declarou em entrevista ao Jornal do Brasil, em 1995, que era contra a Lei Paulo Delgado  – Lei que garante os direitos aos portadores de transtorno psíquico no Brasil –  e que tirar as pessoas dos manicômios era algo meramente “ideológico”.         
Diante dessa nomeação extremamente nociva para a luta antimanicomial, os militantes tem se reunido em todo o Brasil para combater os retrocessos na saúde mental e nos direitos humanos."

Fernanda Pimentel é psicanalista e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise na UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
http://fernandapimentel.com.br

8 de dezembro de 2015

Diálogos do Lacaeando em SP: Psicanálise e Corporeidade


Em novembro tive o prazer de participar do evento Diálogos do Lacaneando, organizado pela jornalista Patrizia Corsetto, em São Paulo, na Livraria da Vila.

Junto com os psicanalistas André Luiz dos Santos e Marcos Vinicius Brunhari, discutimos a forma como a psicanálise abordas as questões relativas ao corpo, desde o nascimento da clínica psicanalítica com as pacientes histéricas, até a atualidade, onde presenciamos novamente a prevalência de uma gama de sintomas corporais. 

Já havia contribuído para o projeto em 2013, numa entrevista para o site Lacaneando, falando sobre Sintomas Alimentares e da Imagem (veja também aqui). Super recomendo uma visita no site que propõe uma interface da psicanálise e outros saberes, como a arte, o cinema, a literatura, a filosofia e outros. 









Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ e atualmente cursa doutorado em pela mesma instituição, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.
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17 de setembro de 2015

Sobre a geração de crianças tristes, intolerantes e superficiais

Augusto Cury, psiquiatra e autor de livros publicados em mais de 70 países, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século. O autor conversou com com o pessoal do site CONTI outra sobre os desafios de se criar os filhos hoje e e criticou a maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. 

“Nunca tivemos uma geração tão triste”


Excesso de estímulos

“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

Geração triste

“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada

“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Veja o artigo na íntegra aqui.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ e atualmente cursa doutorado em pela mesma instituição, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

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20 de agosto de 2015

Para tudo! O Bauman vem ao Brasil pela primeira vez!


No dia 12 de setembro o sociólogo Zygmunt Bauman estará no Rio para participar do evento Educação 360um encontro internacional com a participação de professores, diretores, alunos, familiares e representantes da comunidade, que pretende abordar a educação sob diferentes ângulos.




O polonês Zygmun Bauman é uma das maiores referências da intelectualidade ainda em atividade. Aos 89 anos, ministra aulas na London School of Economics e palestras pelo mundo, discutindo os efeitos da modernidade sobre as pessoas. Seus 32 títulos lançados no Brasil já venderam mais de 350 mil exemplares, dentre eles 'Amor Líquido', no qual o autor trata a ideia da liquidez como característica das fragilidades e a perda dos valores nas relações contemporâneas.


Confira mais sobre o eventoprogramaçãopalestrantes


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ e atualmente cursa doutorado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ, pesquisando sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

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29 de julho de 2015

Sintomas da depressão pelas lentes de fotógrafa que convive com o diagnóstico


Depois de um diagnóstico de depressão, aos 16 anos, a fotógrafa Christian Hopkins decidiu processar a experiência por trás de uma lente. O resultado é uma série surpreendente de fotos que capturam as nuances pouco compreendidas desse transtorno. As imagens resumem como é conviver com este sintoma na experiência cotidiana da artista.

Fonte: BrasilPost

"Christian, agora com 22 anos, diz que fotografar como ela se sente é uma forma de catarse para lidar com seus pensamentos depressivos.
"Eu venho usando a fotografia como terapia pois ela me ajuda a lidar com muitas das emoções que eu tinha dificuldade em entender no passado", disse a jovem ao jornal The Huffington Post. "Sempre que eu me sinto controlada por uma emoção em particular e incapaz de pensar ou me concentrar direito, eu tiro essa emoção para fora da minha cabeça e a deixo presa em uma fotografia."
Depois de tirar as fotos, ela descobriu que as imagens serviam como desabafo emocional. Elas também serviam um propósito duplo: como recurso educativo para aqueles que não podem compreender com o que as pessoas deprimidas muito frequentemente se deparam.
"Espero que essas fotos sirvam para elucidar os sintomas mais amorfos da depressão, e ao fazer isso, ajudar na compreensão daqueles que - possivelmente até mesmo alguns conhecidos – estão passando por isso", disse a fotógrafa.
A série de fotografias não é a primeira do tipo, mas é uma contribuição bem-vinda em uma discussão muito necessária como essa da doença mental.
Muitos dos que sofrem de distúrbios mentais frequentemente se sentem estigmatizados, fato que as pesquisas indicam como obstáculo à busca pelo tratamento necessário.
Christian espera que transformar a doença em algo tangível seja um bom começo para acabar com esses julgamentos."
Confira a matéria na integra e a série de fotos completa aqui.







Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

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1 de julho de 2015

'Sempre que a gente fala de dinheiro a gente fala de sexo! '




Por que a nossa vida financeira é segredo?
O GNT convidou o psicanalista Jorge Forbes para nos ajudar a entender por que 'travamos' na hora de falar de dinheiro. No 'Papo de Segunda', o especialista logo diz: "Sempre que a gente fala de dinheiro a gente fala de sexo". Por que será? O programa discute se é mais difícil falar de dinheiro do que de sexo.
Entenda no trecho da entrevista abaixo.
http://gnt.globo.com/…/sempre-que-gente-fala-de-dinheiro-ge…


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

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13 de abril de 2015

4 de fevereiro de 2015

Freud em quadrinhos

A Psicanalista e historiadora Corinne Maier e a cartunista Anne Simon trabalharam juntas na biografia em quadrinho que conta a vida e o legado de Sigmund Freud. 
Apesar do formato irreverente, as informações contam com o maior rigor histórico-científico. Os casos de Freud, assim como alguns conceitos mais controversos são abordados de forma séria e ao mesmo tempo muito divertida.
Confira algumas imagens!

 





Escrevendo este post também encontrei Biografia Gráficas de Richard FeynmanCharles DarwinHunter S. Thompson, e Steve Jobs.

Fonte: Brain Pickings

Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.

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2 de fevereiro de 2015

Dica ViaFreud

Garimpando textos e referencias encontrei o blog Psicoanálisis Inédito que se dedica a divulgar e compartilhar textos inéditos da Psicanálise de orientação Lacaniana, como transcrições de entrevistas e intervenções pouco conhecidas, conferências e seminários não estabelecidos e artigos nunca antes divulgados.



Espaço para acompanharmos o trabalho de autores como Eric Laurent, Marie-Hélène Brousse, Esthela Solano-Suárez, Jaques-Alain Miller, Serge Cottet, François Ansermet e outros

Dos mais lidos, o blog destaca "El retorno de la blasfemia", Jaques-Alain Miller, escrito a partir do atendado a Charlie Hebdo; "Neurosis y Psicosis - donde comienza lo anormal", entrevista onde Lacan fala do disgnóstico diferencial para uma revista médica em 1968 e "Los autistas, sus objetos, sus mundos",  transcrição de uma conferência de Eric Laurent na UBA em 2013.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
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28 de janeiro de 2015

Por que as crianças francesas não têm Déficit de Atenção?

Marilyn Wedge, PhD e autora do livro  A Disease Called Childhood: Why ADHD Became an American Epidemic, fala, neste artigo, sobre a epidemia de diagnóstico de TDAH nos EUA, tendo como referência o baixíssimo índice encontrado na França. 
Além das diferenças culturais, a aposta francesa num problema psico-social - diferente da abordagem americana que defende um transtorno bioquímico de origem cerebral - parece colocar os franceses bem a frente no que diz respeito à educação infantil a ao tratamento com as crianças. 


Como é que a epidemia do Déficit de Atenção, que tornou-se firmemente estabelecida em vários países do mundo, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?


Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Psychology Today


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
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26 de janeiro de 2015

Os Pós Brancos

A semelhança não é só na aparência. Além de serem todos pós brancos, fruto do refino através de processos químicos, os efeitos no organismo também são bem parecidos.

O artigo do colunista Denis Russo Burgierman nos conta como as três substâncias que foram consideradas avanços tecnológicos e soluções de vários problemas se tornaram o grande mal que afeta a humanidade. 


Farinha de trigo, açúcar e cocaína


Se um dia alguém resolver erigir um monumento em praça pública às boas intenções frustradas do pensamento científico, podia ser uma estátua monumental de um prato cheio de pó branco. Assim homenagearíamos de uma só vez três enganos cientificistas: a farinha de trigo refinada, o açúcar branco e a cocaína. Três pós acéticos e quase idênticos, três frutos do pensamento que dominou o último século e meio: o reducionismo científico. Três matadores de gente
Não é por acaso que os três são tão parecidos. Todos eles são o resultado de um processo de “refino” de uma planta – trigo, cana e coca. Refino! Soa quase como ironia usar essa palavra chique para definir um processo que, em termos mais precisos, deveria chamar-se “linchamento vegetal” ou algo assim. Basicamente se submete a planta a todos os tipos de maus-tratos imagináveis: esmagamento entre dois cilindros de aço, fogo, cortes de navalha, ataques com ácido. Até que tenha-se destruído ou separado toda a planta menos a sua “essência”. No caso do trigo e a da cana, o carboidrato puro, pura energia. No caso da coca, algo bem diferente, mas que parece igual. Não a energia que move as coisas do carboidrato, mas a sensação de energia ilimitada, injetada diretamente nas células do cérebro.

Começou-se a refinar trigo, cana e coca mais ou menos na mesma época, na segunda metade do século 19, com mais intensidade por volta de 1870. No livro (que recomendo muitíssimo) “Em Defesa da Comida”, o jornalista Michael Pollan conta como a tal “cultura ocidental” adorou a novidade. Os cientistas ficaram em êxtase, porque acreditavam que o modo de compreender o universo é dividi-lo em pequenos pedacinhos e estudar um pedacinho de cada vez (esse é o tal reducionismo científico). Nada melhor para eles, então, do que estudar apenas o que importa nas plantas, e não aquele lixo inútil – fibras, minerais, vitaminas e outras sujeiras. Os capitalistas industriais também curtiram de montão. Um pó refinado é super lucrativo, muito fácil de produzir em quantidades imensas, praticamente não estraga, pode ser transportado a longuíssimas distâncias. A indústria de junk food floresceu e sua grana financiou as pesquisas dos cientistas, que, animadíssimos, queriam mais.
Sabe por que esses pós refinados não estragam? Porque praticamente não têm nutrientes. As bactérias e insetos não se interessam pelo que não tem nutriente.
Os três tem efeito parecido na gente. Eles nos jogam no céu com uma descarga de energia e, minutos depois, nos deixam despencar. Aí a gente quer mais. Como eles foram separados das partes mais duras das plantas – as fibras – nosso corpo os absorve como um ralo, de uma vez só. Seu efeito eletrificante manda sinais para o organismo inteiro, o metabolismo se acelera.  Aí o efeito vai embora de repente. E o corpo é pego no contrapé...
Veja o artigo completo na coluna o autor.


Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
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7 de janeiro de 2015

O rótulo da magreza

A escritora e autora do blog Almada, Bel Fernandes, aluna de Letras - Formação de escritor da PUC, me pediu indicações de material para pesquisa sobre padrão de beleza, auto imagem e a nociva influência da mídia e da moda na vida das mulheres para um artigo sobre o tema.

As questões relativas a imagem do corpo feminino, sua transformação em mercadoria e os estados patológicos envolvidos são foco de minhas pesquisas há muitos anos. E acho muito importante ver o interesse dos jovens autores, suas produções e pontos de vistas!

Olha que bacana que ficou o trabalho dela: 

O rótulo da magreza 
O corpo da jovem mulher ditado pela mídia 
Isabel Fernandes 

Resumo: Este artigo discute a forma como o corpo da jovem mulher torna-se mercadoria através da mídia e a possibilidade da quebra do rótulo da magreza estipulado também pelos estilistas em relação às modelos. Com base em alguns estudos psicológicos e citações, originam-se discussões e análises. 

Palavras-chave: corpo, jovem mulher, mídia, magreza. 

"A grande maioria das mulheres deseja mudar algo em sua aparência, especialmente o peso, pois vivemos em uma cultura que alimenta a insatisfação [...] A mensagem geral é: você não pode estar bem da forma que está, transforme-se." (ALVARENGA; MARLE, 2010) 

Introdução: Este artigo tem como objetivo fazer pensar sobre a questão da magreza nos dias atuais, em específico nas jovens mulheres, que acabam sendo mais influenciadas pela mídia e também pela sociedade ao redor, para isso há algumas pesquisas e discussões psicológicas envoltas com uma análise pessoal, pois também sofri influências da mídia, procurando dietas e emagrecendo mais do que deveria e por isso busco de alguma forma conscientizar essas jovens mulheres que são influenciadas e tentam a todo custo o corpo perfeito. 

A mídia é uma das principais fontes de influência, colocando na maioria das vezes mulheres esguias em propagandas de perfumes ou bebidas alcoólicas, por exemplo. Outra grande influência é o padrão do corpo das modelos, altas e muito magras, como se isso fosse saudável e exemplo para ser seguido, quando na verdade, é isso que não deveria ser seguido. 

A sociedade também contribui para essa busca desenfreada do corpo perfeito, criticando alguém por ser mais acima do peso, excluindo outras pessoas, tudo isso porque ser magra está “na moda”. 

Ser magra e possuir um corpo saudável é o correto tendo a medicina como base, ser magra e ter um organismo sem defesas não é correto tendo essa mesma base. Deve-se equilibrar o: ser magra e ser saudável, para não haver perda de controle e o bem estar também deve entrar em questão, sentir-se bem consigo...

Para ver o artigo completo, clique aqui.



Fernanda Pimentel é psicanalista, tem mestrado em Psicanálise pela UERJ  e pesquisa sobre a psicanálise na atualidade e a clínica contemporânea.
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