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5 de março de 2009

Automutilação - Marcas do sofrimento na pele


o que levaria uma pessoa a se ferir ?
A questão da auto-mutilação é muito mais comum do que parece e acontece por inúmeros motivos. Li uma matéria na MarieClaire que fala bem do assunto:

Os cortes que aliviam a dor da alma

Machucar a pele para aquietar a mente. Assim os praticantes da automutilação definem o transtorno que os persegue. Eles se batem, se queimam, até quebram os ossos em momentos de raiva ou tristeza profunda. Aqui você vai ler o relato e os trechos do diário de uma jovem de 25 anos que dilacerava a pele quando o sofrimento interno era insuportável. Ela diz que não se mutila há um ano e três meses, mas ainda luta para superar a depressão


A artista plástica Beatriz*, 25 anos, poderia ser uma jovem comum, dessas que gostam de ir ao cinema, namorar e sonham em construir uma carreira. Mas por baixo das roupas, ela esconde um segredo: cicatrizes de várias formas e tamanhos. Profundas, rasas, algumas pequenas, outras nem tanto. As marcas na pele de Beatriz não existem por causa de um acidente, mas porque ela mesma as provocou. Até pouco tempo atrás, cortava-se com estiletes e facas de cozinha para aliviar a dor de viver. Em outras palavras, provocar dor física, rasgando a pele, deixava a alma momentaneamente calma. Dava prazer. Mas também vergonha -que, assim como as cicatrizes, ficou até hoje. Por isso ela não revela sua identidade. 'Sempre escondi de todos que eu me cortava. A vergonha era tanta que nunca fui ao pronto-socorro dar pontos nos cortes, por mais que soubesse que eles eram necessários', diz.
Beatriz começou a se automutilar na adolescência, aos 12 anos, quando ela se frustrou profundamente com uma nota baixa (D) em uma prova de inglês. Inconformada e com raiva de si mesma, começou a bater a cabeça na parede. Era hora do recreio e a sala estava vazia. Só parou quando a cabeça latejou. O galo roxo no meio da testa trouxe calma, alívio e tranquilidade. 'Fiquei decepcionada comigo mesma. Sempre fui muito perfeccionista, tinha quer ser a melhor em tudo. Na prova seguinte tirei A.' Beatriz descobriu, então, um remédio acessível e eficiente para estancar a dor: machucar o corpo. Daquele dia em diante, começou a se dar tapas, mordidas e socos nos braços e nas pernas todas as vezes em que ficava triste ou com raiva. Dez anos mais tarde, no auge de uma crise de depressão, começou a se cortar com arames, facas, lâminas e qualquer objeto afiado que estivesse ao seu alcance. Mutilou braços, pernas, tornozelos e mãos.
Há três anos, Beatriz faz sessões de terapia com uma psicóloga e toma remédios para superar a automutilação, um transtorno emocional antigo, mas pouco estudado pela ciência. Tornou-se mais conhecido nas últimas semanas, depois do episódio da advogada brasileira Paula Oliveira. Ela foi acusada pela polícia suíça de se automutilar para conseguir indenização do governo, alegando que os cortes foram feitos por neonazistas.
Os automutilados se batem, se cortam, se queimam e até quebram os ossos quando não conseguem lidar com a angústia, a tristeza, a raiva e outros sentimentos difíceis de suportar. Eles não querem pôr fim à própria vida com os cortes. No início, desejam apenas se punir, mesmo que inconscientemente. O primeiro machucado quase sempre acontece por impulso. Muitos dão socos nas paredes, furam as mãos com a ponta do compasso, da lapiseira, com a lâmina do estilete ou um caco de vidro durante um acesso de raiva. Depois de machucados, dizem que se sentem aliviados. A dor física ameniza a emocional. Lesionar-se intencionalmente acaba se tornando a saída para os momentos dolorosos, um vício, como drogas ou álcool.
No Brasil não existem números oficiais da quantidade de pessoas que se machucam para aliviar dores psíquicas. Só no Orkut existem mais de 20 comunidades relacionadas ao assunto. As maiores têm cerca de 600 participantes. Lá, pode-se ler relatos macabros. Em um deles, um participante que se diz gay afirma ter cortado o pênis por não lidar bem com a homossexualidade. 'Cortei o que me incomoda', escreve. No site YouTube, também há vídeos sobre o transtorno, muitos deles feitos por adolescentes que exaltam a automutilação.
Nos Estados Unidos, os estudos são mais avançados. Uma pesquisa publicada em 2006 mostrou que 17% dos jovens entre 18 e 24 anos em uma universidade americana já haviam se cortado intencionalmente uma vez na vida. E 75% deles levaram a prática adiante, sem a intenção de se suicidar. Wendy Lader, presidente da clínica americana S.A.F.E. Alternatives, especializada no tratamento do transtorno, diz que apesar da falta de estatísticas, percebe um crescimento no número de pacientes. 'Em 22 anos de trabalho já tratamos três mil pessoas. Nos últimos anos passamos a ser procurados por indivíduos comuns, médicos e educadores do mundo todo interessados em mais informações. A maioria conhece o problema porque alguém próximo se machuca e logo depois nos procura.'
No Brasil, a maioria dos automutilados ainda está desamparada. O único centro de terapia por aqui é o Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso, ligado ao Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, que trata vários transtornos psiquiátricos, entre eles a automutilação, onde Beatriz faz terapia. 'Antes de conhecer o HC, fui a três psiquiatras que ficaram assustados com o meu problema e não sabiam o que fazer', diz. 'Saí desolada de uma consulta porque o melhor profissional que visitamos mostrou despreparo e me perguntou qual remédio deveria receitar', diz Joana*, mãe de Beatriz.
A origem do transtorno ainda é confusa para os especialistas. Uma parte dos estudiosos defende a ideia de que a autolesão é, sim, uma doença em si. Acreditam na hipótese de que os cortes liberariam mais endorfina em algumas pessoas do que em outras. Quando a substância age no cérebro, provoca sensação de bem-estar que diminui a ansiedade e a tristeza. É dessa maneira que a mutilação acaba se tornando um vício. A outra parte dos especialistas acredita que a automutilação é um sintoma de doenças emocionais, como a depressão. 'Geralmente, está associada a outros transtornos como a dependência química', diz a psiquiatra Jackeline Giusti, responsável pelo ambulatório do HC. 'A maioria das pessoas que se mutila tem dificuldade de lidar com a vida sentimental. Algumas foram abusadas sexual ou fisicamente na infância. E metade delas sofre de algum distúrbio alimentar', diz Wendy, da S.A.F.E.

O COMEÇO DO DESCONTROLE
À primeira vista, Beatriz parece uma jovem alegre. É morena, alta e tem um sorriso largo. A dificuldade em olhar nos olhos dos estranhos sugere timidez. As respostas monossilábicas comprovam. Com o passar do tempo, ela se solta, se mostra simpática e muito bem articulada. Risonha até. Mas quando discorre sobre os momentos mais difíceis da sua vida, abaixa a cabeça e o tom de voz. Silencia. Fala pouco, não faz perguntas nem sorri. Mantém o olhar fundo e distante. E até se contradiz para responder rapidamente a perguntas nitidamente incômodas. Age como quem quer se livrar da memória.
Filha única de pais separados, ela teve uma infância comum. Era boa aluna na escola e fazia aulas de inglês, teclado e natação. Morava com a mãe numa cidade do interior do estado de São Paulo e passava os fins de semana na casa do pai. A convivência familiar era harmoniosa. Ela adorava dar festas de aniversário. Mas aos 11 anos perdeu o contato com o pai por causa de brigas entre ele e sua mãe. A convivência com Leandro*, o padrasto, que viera morar em sua casa, também era difícil. Ela diz que não aceitava as ordens dadas por ele e também tinha ciúmes do padrasto com sua mãe. 'Me senti duplamente abandonada: pelo meu pai, que deixou de me ver, e pela minha mãe, que começou um relacionamento novo', diz. Por causa dos problemas familiares, Beatriz entrou na adolescência como uma menina triste e solitária. Foi se afastando dos amigos, até que os perdeu completamente. Aos 21 anos, entrou em depressão profunda.
Beatriz começou a se cortar aos 22. Estava na faculdade fazendo um trabalho com arame. Frustrada por não conseguir pôr suas ideias em prática, começou a chorar desesperadamente. Sentou no chão, pegou um fio de arame e começou a desenhar listras nos braços. Não chegou a se arranhar, mas aquilo fez com que se sentisse melhor. Beatriz levou o arame para casa. Na segunda vez, também se arranhou. Na terceira, poucos dias depois, se cortou. 'Comecei a me mutilar todas as vezes em que sentia raiva de mim mesma ou culpa de errar. Sempre fazia isso escondido. Não queria que ninguém soubesse. Às vezes era por um motivo bobo: porque eu tropeçava na rua e me sentia ridícula (eu não podia ser ridícula). Quando sentia que chateava alguém, quando brigava com a minha mãe, quando sentia saudade, quando me frustrava. Ao mesmo tempo que a mutilação era uma forma de punição, era também uma redenção. Era um sentimento ambíguo', afirma. 'Uma vez me cortei porque liguei para uma amiga para dar parabéns no seu aniversário e ela me disse, chorando, que o melhor presente que eu poderia dar era parar com a mutilação. Aquilo foi horrível para mim.'
Durante dois anos, Beatriz diz que se cortou quase todos os dias, inclusive quando estava feliz. 'No dia em que entreguei a minha pesquisa de iniciação científica, meu orientador disse que estava tudo certo, que o trabalho estava bom e me encheu de elogios. Fiquei muito feliz, mas era como se não pudesse sentir aquilo. Ao mesmo tempo, me cortar também era uma alegria. Aumentava minha felicidade. É difícil explicar... Então me cortei.' Com o tempo, as colegas de república estudantil e os amigos de faculdade descobriram que Beatriz se mutilava. Foi ela mesma quem contou para alguns deles. A reação dos mais próximos, segundo conta, foi de chegar ainda mais perto para tentar ajudar. As companheiras de apartamento vigiavam-na, faziam companhia, conversavam. 'Mas em um segundo momento as pessoas se cansaram, foram se enchendo o saco porque eu continuava com o mesmo comportamento. Não aguentaram a situação e se afastaram. E eu fiquei pior ainda. Perdi grandes amigos. E as amizades que não perdi ficaram profundamente abaladas.'
...................................................Imagem do diário de Beatriz
AS ETAPAS DO TRANSTORNO
O caminho da automutilação é semelhante ao do vício em drogas. Os cortes começam pequenos e rasos, assim como o vício pelas drogas pode começar com um pega de baseado. À medida que o tempo passa, os cortes também aumentam de tamanho e profundidade, e se tornam tão pesados e destrutivos como uma pedra de crack. 'Só parava de me cortar quando conseguia fazer o corte perfeito. Precisava ter uma simetria. Se fazia um no braço direito, tinha que fazer no mesmo lugar, no braço esquerdo. Comecei com dois cortes, um em cada braço, e cheguei a fazer 30 cortes de uma só vez', diz. 'Se não encontrava o corte perfeito, só parava quando me assustava, quando minha pele estava toda retalhada, destruída.' Variar o instrumento também é importante. 'Teve um momento em que o arame deixou de me satisfazer. Passei para o estilete. Depois a gilete. Mas também usava outras coisas: a ponta do compasso, faca de cozinha, agulha e até cigarro. Nunca fumei, só comprei para me queimar', afirma.
A maioria das vezes em que Beatriz se mutilou foi dentro de casa. 'De manhã ia para a faculdade e não dava para fazer aquilo lá porque alguém poderia perceber. À tarde era um período muito difícil para mim por causa da depressão. O tempo demorava para passar e eu ficava sozinha. Então tomava muitos remédios, até dez de uma só vez. Não queria me intoxicar, só queria que aquela angústia passasse. Mas a consequência é que dormia muito. Me cortava no final do dia, quando acordava. Colocava Elis Regina no som, uma toalha em cima da cama e deitava em cima. Me cortava e gostava de ficar vendo o sangue escorrer. Até brincava às vezes com o sangue, fazia desenhos no meu corpo, passava de uma mão para outra. Aquilo me distraía. Depois entrava no banho, onde também cheguei a me cortar. Quando terminava tudo, quando estava mais calma, lavava a toalha e limpava as gotas que tinham caí-do no chão', diz. 'Depois de um tempo você aprende que partes do corpo sangram mais. O tornozelo, por exemplo, sangra muito. Durante uma época, cortava a palma da mão para não ficar marca, para as pessoas não verem.'
Beatriz diz que não se corta há um ano e três meses. Durante o processo de recuperação, escreveu um diário que traz relatos impressionantes e elucidadores sobre a mente das pessoas que se mutilam. 'Estive pensando nisso. Por mais profundo que seja o corte, já não sinto dor. Será possível que meu corpo, sabendo que meus atos de agressão são conscientes, já não precise da dor como alerta? Das últimas vezes senti náuseas, por tempo prolongado, o que não aconteceu antes. Talvez pela dimensão dos meus atos', escreve.
'Como seria minha vida sem os remédios? Nas últimas semanas, as cápsulas de felicidade foram trocadas e fizeram (ainda estão fazendo) uma rebelião contra o meu corpo. Náuseas, dor de cabeça, tontura. E, além do mais, uma tristeza irreparável, irreprimível, nem mesmo por um mar de sangue. Hoje experimentei a ponta de um compasso depois de uma difícil sessão de vômitos. Tantas coisas na minha cabeça que me canso. Tantas coisas no meu corpo que quero ser ar!'
A cicatriz que ela diz ser o último corte feito mede cerca de três centímetros por cinco e está localizada na batata da perna. É mais escura e mais saliente que o restante da sua pele. Sua mãe havia recebido um convite para uma festa e só podia levar um acompanhante. Chamou o padrasto e Beatriz ficou enciumada. Para muitos, o motivo pode parecer pequeno. Mas para ela não. 'A automutilação traz um prazer interno enorme. Sabe quando você sente um frio na barriga, quando está tudo muito ruim? Depois que eu me cortava, é como se sentisse soltar toda a pressão do balão', afirma.

Beatriz diz que foi a psicóloga quem conseguiu convencê-la a parar com a mutilação. 'Ela me convenceu de que não era legal. Eu não via problema nenhum. Era uma coisa boa, um bem que fazia a mim mesma. Parei para agradar os outros, e não a mim. Eu via que minha mãe ficava desesperada . Quem estava por perto ficava alarmado.' Mas hoje acha que a automutilação é ruim? Silêncio. 'Espero que um dia fale que não quero mais. Por mais que pense diferente agora e saiba que existem outras maneiras de lidar com a vida, acho que...' Respira fundo, desvia o olhar, tamburila os dedos sobre um livro e emudece. 'Sempre vai ter uma vontadezinha, não tem jeito.'

Veja a matéria completa aqui.




29 comentários:

Lícia Ribeiro disse...

OLÁ!!! SÃO 03:28 DA MANHÃ!!! SOU MAMÃE DE UMA GAROTA DE 16 ANOS QUE SE ALTO MUTILA A 2 ANOS E AINDA Ñ SEI LIDA COM AS ATITUDES DA FILHA,QUE FAZ TRATAMENTO COM PSICÓLOGOS E PSIQUIATRA, ELA TOMA MEDICAÇÃO,MAIS HJ A NOITE ELA SE MUTILO NOVAMENTE, E NA VERDADE QUE SENE ADOR SOMOS NÓS ELA FICA COMO SE NADA TIVE-SE ACONTECIDO...ADOR É MUITO GRANDE Ñ SABEMOS COMO PROTEGER ELA DELA MSM... MAIS EU A AMO COM TODA A MINHA FOÇAS !!!

Marília disse...

Desenvolvi o Cutting a alguns anos por problemas familiares. Hoje me encontro no nível 4 e ninguém pode me oferecer ajuda. A melhor hora pra me auto mutilar é a noite e com estilete, pois a sensação é melhor. Não vejo como me curar e nem como algo ruim, porque me faz bem. Quando dizem que é pra chamar atenção, é a pior coisa, porque quem tem sabe, que é difícil parar. Gostei da matéria e de ler relatos de meninas como eu.

Lucimaria Rangel disse...

Marilia, para tudo tem um jeito de pensar e resolver, tudo depende do quanto vc quer mudar esta situação!
Lamento que o seu ´nível de desilusao seja grande, mas quando queremos a mais horrível das situações pode se transformar em boa! Assim como seus cortes!!
Procure ajuda de um bom especialista em psiquiatria e psicologia, que não tenha medo de falar disso e vc verá a diferença!!!
Um forte abraço,
Lucimaria

Anônimo disse...

Oi eu tenho 17 anos e me corto desde os 14 ... é a primeira vez que escrevo isso para alguem... ontem eu só consegui dormir depois que fiz o corte perfeito... quando estou ouvindo musica ou pensando em alguma coisa, ou se faço algo errado eu tenho mania de me arranhar e isso me ajuda muito... eu sinto um alivio muito grande...sofro de depressão e transtorno bipolar e alimentar.. nao sei mais oq fazer!

Anônimo disse...

Queridas companheiras de jornada tenho um carinho especial por vocês é verdade. Minha filha que amo muito tambem se corta. Estamos juntas tentando compreender e lidar com isto. Parece mesmo com o fumar. Para quem não fuma é fácil falar.Sou psicóloga e acredito que a convivência com pessoas de bom coração,honestas e solidárias é a saída. Vamos buscar e ser estas pessoas?

Anônimo disse...

Estou a alguns meses sem praticar a automutilação,eu encontrei pessoas que me fazem sentir importante.É difícil,mas estou conseguindo.Não estou livre de recaídas,pois as vezes sinto uma vontade enorme de cortar-se;mas aos poucos consigo superar.

Anônimo disse...

Tenho 27 anos e pratico a auto mutilação. Tenho obesidade mórbida grau III, me acho feia, eu era linda e magra. Há 3 anos vinha engordando e comendo por compulsão, a comida é um vício, assim como uma droga q não consigo me livrar. Já fui a psiquiatra, tomo remédios, fiz 1 ano de terapia...estava melhor mas problemas familiares me levaram a comer sem parar, até ficar gorda, inchada e me isolei do mundo. Hj vivo mais dormindo, cheia de remédios, me tranco no quarto e ouvindo música gosto de arranhar meu braço. Já usei tesoura, gilete, alicate, agulha e caco de vidro numa única vez. Da última vez foi com a faca de cozinha. As pessoas perguntam o que foi e digo q um gato me arranhou. Mas algumas pessoas parecem achar estranho pois os cortes são simétricos e arranho várias vezes, por cima do mesmo arranhão. Minha mãe sofre de um transtorno chamado histeria que finge estar doente p conseguir o que quer. Finge estar morrendo e vivo sendo criticada por tudo. Meu pai nunca me apoiou.em nada, só critica e me coloca p baixo. Me sinto feia, inútil, idiota, uma gorda imbecil. Não me sinto mal por me cortar, me sinto aliviada. Quando me corto, certamente estou com raiva de mim mesma por ser estupida e idiota por algo que fiz ou deixei que fizessem comigo. Um conselho p as mães preocupadas c filhos q se auto mutilam: apoie seu filho, não critique, não pressione, não pergunte pq faz isso, pq as vezes.nem sabemos pq!

Anônimo disse...

Tenho 13 anos e comecei a me cortar no início do ano passado,quando a minha vida começou a ser mais difícil.Entrei em um novo colégio no mesmo ano em que comecei a me cortar,a maioria das meninas da minha sala são magras,altas e bonitas,o oposto de mim.Na minha antiga escola eu sofria bullyng por ser gorda e "diferente" dos outros e assim resolvi mudar para um lugar melhor,recomeçar..Foi muito difícil me enturmar no novo colégio,já que além de ser uma turma já formada a anos,eu era um pouco anti-social e me sentia estranha,era como se ninguém gostasse de mim.Fiz minha primeira amizade no colégio no meio do ano passado que hoje são minhas melhores amigas.Me sinto inútil,feia,gorda e burra,não sei se as minhas amigas conseguem me entender.Três amigas sabem que eu me corto,uma delas ri de mim,acha que é uma brincadeirinha idiota e nem conversamos tanto.A outra me chama de bobona,se preocupou apenas da primeira vez pois não contei para ela e acabamos brigadas,esta também já se cortou e no dia que eu descobri isso meu mundo praticamente desmoronou,pois além de sempre me ajudar nas horas difíceis ela sempre faz companhia me fazendo sentir bem melhor..Eu disse para ela que não quero que faça isso nunca mais,que é sério e machucando-se ela me machuca,lhe disse que a cada corte que ela se faz,um novo corte surge no meu coração.A terceira amiga acaba me fazendo sentir muito culpada e me corto ainda mais,ela sempre está me vigiando e me pergunta o porquê,mas não consigo explicar,as dores emocionais são muito fortes e o corte é a única coisa que me faz sentir melhor.Quando conversamos sobre isso com outras pessoas fico quieta,não me expresso em nenhuma posição e nem dou a minha opinião mas ela vive jogando indiretas para mim perto dos outros,diz que isso é doença e coisa de animal..As vezes minha única vontade é de morrer,mas tudo o que eu quero é viver em paz,sem ser criticada.Se eu me sinto melhor assim,assim será.

Anônimo disse...

Eu me multilo á cerca de dois anos. Sou cirurgiã-dentista tenho 28 anos e faço isso pq como os vários relatos que li é a maneira de me acalmar e transformar minha dor emocional pra fisica. já havia seis meses que eu não me multilava e ontem nun momento de profunda tristeza e solidão peguei uma lâmina de bisturi da qual guardo uma caixa especialmente pra isso e rabisquei todo o meu pulso esquerdo. nunca pensei que eu fosse desenvolver esse tipo de patologia e estou começando a perceber que eu preciso de ajuda. muito bom ter lido está matéria e estes relatos.

Fernanda Pimentel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda Pimentel disse...

O tratamento mais indicado para esses casos é a psicanálise, associado ao farmacológico, se necessário.
Diferente de outros tratamentos, a psicanálise não tenta controlar os impulsos em se cortar. Na verdade, trata-se de compreender a dinâmica envolvida naquele sujeito onde o corte funciona como alívio. Só a partir daí é possível construir, psiquicamente, algo que contenha os atos de auto-mutilação.
É difícil sim! Mas é possível!
Sou Psicanalista, trabalho na área e escrevo este blog. O artigo não é de minha autoria (as devidas referências estão no texto), mas posso indicar bons profissionais no Rio e Niterói que podem ajudar quem se interessas.
Atenciosamente,

Anônimo disse...

Ola. Eu comecei mt cedo com a automutilaçao. Minha psiquiatra diz que foi aos 6 anos mas minha psicologa diz que foi aos 11 anos. Não importa.
Fui assediada sexualmente ( sem perder a virgindade) durante 4 anos (5-9 anos) por dois rapazes 5 anos mais velhos que eu.
Na altura, com 6 anos, não aguentava mais o silencio, fechei-me no quarto e comecei a dar murros a parede ate ver sangue. O alivio foi otimo e a partir daquele momento comecei a fazer isso sempre que eles me tocavam.
Com 9 anos eles se mudaram e eu respirei de alivio e parei.
Com 10 anos fui para o 5 ano e ai, começou o bullying. Aos 11 anos comecei a queimar-me com um isqueiro para sentir alguma dor mas com o tempo deixou de ser o suficiente e aos 12 anos fiz ,meu primeiro corte.
O bullying durou 5 anos e hoje tenho 16 anos. Estou acima de peso e consequentemente, estou sempre em dietas mas fracasso e então vomito o que como e isso acontece a cerca de 1 ano. Não consigo para de me cortar. Faz parte de mim e eu não sei mais o que fazer.

Unknown disse...

Eu arranco toda a pele dos labios da boca ate sangra muito ai eu sugo o sangue. A dor me da prazer e acalma eh mto gostoso. As vzs corto meu corpo com uma navalha e me sinto otima QUERO PARA E NAO CONSIGO!!!! SOCORRO ALGUEM ME AJUDA EU IMPLOROO. Faço isso deste criança e hoje tenho 25anos... meu mail eh nathaliabjrc@gmail.com.

uma garota de pulsos cortados† disse...

Tenho 12 anos e comecei a me cortar com 11,mas antes disso eu batia na parede sem reboco,me beliscava até sair sangue,saia no sol quente(tenho alegria ao sol quente) só pra ter uma reaçao alergica,etc.Eu fazia(faço) pq é um meio de descontar minha vergonha em meu proprio corpo.Todo o meu problema começou aos 4 anos eu jah sofria bullying,eu era chamada de magrela e feia e isso foi se rornando cada vez mas frequente entao eu engordei 10 kilos em uma semana(eu sofro bullying ate hj mais vamos pular essa parte)eu desenvolvi uma ansiedade compulsiva cronica,estou com depressão,e sou uma suicida...minha vida é uma droga...

Anônimo disse...

Comecei a me mutilar a dois dias. Me arranho e tento cravar as unhas até doer e puxo pra baixo. Meu pai está no CTI e todos me culpam por ele ter entrado em depressão por eu ter mudado de estado. Me culpo e ja pensei em suicídio. A dor do corte me faz pagar um pouco pelos meus erros

Anônimo disse...

TENHO 15 ANOS E ME MUTILO A UM ANO POR CAUSA DE PROBLEMAS FAMILIARES E SENTIMENTAIS, NINGUEM NA MINHA FAMILIA SABE, ME MUTILO COM OQUE ACHAR, FACA, TESOURA, LAMINA DE APONTADOR, JA TENHO OS BRACOS E PERNAS MARCADOS,TENTO LIDAR COM ISSO MAIS É QUASE IMPOSSIVEL E SOZINHA MAIS AINDA, AO MESMO TEMPO QUE QUERO PARAR EU NAO QUERO, ISSO ME FAZ BEM, SÓ QUE OS COMENTARIOS DAS PESSOAS SAO A PIOR PARTE , ELAS DIZEM QUE EU SOU LOUCA, QUE EU FACO ISSO PRA APARECER. VOU VIVER COM ISSO PRA VIDA TODA TALVEZ . . .

Tais Andrade disse...
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Tais Andrade disse...
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Mar do inverno disse...

Eu sei como isso é dificil porque já fiz, e realmente é mt dificil de parar, e é como se fosse mesmo um alivio, ou uma felicidade imensa por cada gota de sangue q escorre pelo o braço ou que seja outro local do corpo. Eu tenho 15 anos e faço automutilação desde os 11, já tentei parar mais quase surtei pq queria algo para aliviar a dor, também comecei com apenas risquinhos leves até ir parar no hospital, estava desmaiada, tinha perdido muito sangue, minha roupa estava encharcada, quando acordei estava deitada em uma maca e estavam dando pontos em meu braço, meu corte foi de 34 cm, foi o meu mais fundo, tenho outros mas esse foi o pior. Enfim, resumindo, faz um mês que isso aconteceu e exatamente um mês que não me corto e esta extremamente dificil conviver com esta dor, e apesar de td ainda tento seguir em frente.

Luisa Moura disse...

Oi eu sou Luisa e nunca passei por isso.Na minha escola existe uma ferinha de ciencias onde vc fala sobre o tema que quer e um dos temas que mim tocou muito foi a auto mutilaçao,pois é um dos casos que esta acontecendo muito onde eu moro existe muitos jovens e adolescentes que se auto mutilam.Entao eu e minha equipe pensamos sobre esse assunto, e vamos fazer sobre ele, e uma das coisas que vamos fazer pra ajudar aos jovens sao palestras etc, com esses jovens das escolas com todos ate quem nunca fez isso que é muito dificil vc encontrar jovens que nunca tenha feito.E amei essa pesquisa pois vai mim ajudar muito <3 obg

Luisa Moura disse...

Logo mais acho que estarei fazendo um site para esses jovens.

Anônimo disse...

Tomei 8 pontos no último corte. Estou arrasada. Por que fiz isso? Eu não entendo. Cada vez está ficando pior.

Anônimo disse...

Tenho 20 anos,e estou passando por um momento difícil na minha vida,tomo remédios controlados porém não está adiantado nada, porque hoje tive um ataque de "furia" não sei bem explicar só sei que me tranquei no banheiro e me arranhei toda senti um alívio no momento mas depois veio o arrependimento e o choro compulsivo…Sinto falta dos meus amigos da minha faculdade da minha rotina de tudo, mas eu estou sozinha nessa,eu não sei mais o que eu faço estou há ponto de desistir da vida.

Anônimo disse...

Quando tenho raiva de alguém ou me sinto muito triste, costumo me arranhar e me bater. Não chego a me machucar severamente. Mas faço com vontade. Será que tenho esse transtorno?

Anônimo disse...

Eu já passei por isso na minha adolescência. Por me achar insignificante me isolei do mundo.Foi uma das piores fases da minha vida e não acho que isso é algo que se deva debochar ou fazer criticas. É uma doença da alma e do coração.Hoje , eu não faço mais isso ,mas ainda tenho os meus momentos de tristeza,no entanto , aprendi a viver um dia de cada vez e não me importar mais com que os outros pensam de mim. A vida é muito curta para ficarmos presos as opiniões alheios. Hoje eu me defendo afastando de pessoas maldosas que não podem acrescentar nada de bom na minha vida além de criticas destrutivas. Cada um reage diferente diante dos problemas , quem somos nós para julgarmos os outros?E quem se considera tão virtuoso ao ponto de difamar seu semelhante tem o pior defeito que o ser humano pode ter. É defeituoso de alma e espírito,pois , perfeição nesse mundo não existe.

Unknown disse...

Tenho 29anos. Sei bem o que é isso. Costumo me queimar com cigarro "embora não fume", me arranho, em momentos de muita raiva ou stres me corto. Não me sinto mal por isso, alivia. A pior parte é quando familiares e amigos percebem que está mal, oi triste ou até chorando sem motivos e falam que é frescura, chili, drama. Daí vem o isolamento, a culpa de o problema ser você.

Anônimo disse...

Tenho 26 anos, sou casada e tenho 1 filho... Sempre sofri com transtornos de ansiedades e nervo sismo, mas cheguei a um ponto em que não poderia imaginar, tenho tido crises dos nervos direto, onde qualquer discussão me leva a me machucar... me bato, me arranho, choro como se a dor e o desespero nunca fosse passar, saio fora de mim. E quando me acalmo sinto vergonha, e fico sem entender o pq e como cheguei a tal ponto. Quando me acalmo e vejo os ematomas e arranhões que me causei me sinto uma pessoa doente, sem entender o pq faço isso. Mas isso me acalma, é um modo de acabar com o sofrimento de minha mente. Preciso de ajuda, mas meu marido acha que sou maluca, que faço pq eu quero. Não tenho ninguém para me entender e me ajudar. Só Deus mesmo para ter misericórdia e me ajudar. Tenho medo de tirar a propria vida, já pensei várias vezes, só não tenho coragem, e nunca cheguei a usar coisas cortantes, mas a cada dia que passa minhas atitudes comigo mesma pioram, e tenho medo de acabar fazendo algo pior.

Tais Andrade disse...

Procure ajuda de um psicólogo, pois você precisa falar com alguém que não vá ficar te julgando. Precisa de alguém que vá te ajudar a superar isso. Procure na sua cidade algum profissional, postos de saúde tem de graça caso não possa pagar um. Mas procure ajuda e não deixei pra depois.

Duarte Loneliness disse...

eu não consigo parar ;-;